Aprender uma nova língua não é fácil e requer anos ou até décadas de muito envolvimento e dedicação. Mas por que existem pessoas que conseguem ultrapassar essas barreiras e são capazes de aprender vários idiomas, enquanto outros sofrem para aprender um segundo? É isso o que muitas pesquisas estão tentando mostrar. Para Carlos Freire, por exemplo, ler livros de Dostoiévski em português não é o suficiente. Ele quer devorar os livros clássicos em russo.

Quando tinha 20 anos, Carlos se mudou para a casa de uma família russa no sul do Brasil e, em poucos meses, já sabia falar o idioma. Esse não era o primeiro idioma estrangeiro que ele havia aprendido. Logo depois, no Uruguai, ele dominou o espanhol, aprendendo em seguida o inglês, o francês e o latim. Segundo ele, os 10 primeiros idiomas são os mais difíceis. Carlos é um de uma minoria de pessoas que conseguem aprender mais de dez idiomas. Segundo os cientistas, os hiper poliglotas podem ajudar a ciência e desvendar os limites da mente humana.

A IDADE INFLUENCIA NO APRENDIZADO

Após o período da puberdade, os hormônios começam a dificultar a reprodução de um tipo de sotaque mais autêntico. Se uma pessoa aprende alemão após seus 15 anos, por mais que ela estude, ela provavelmente não vai soar como um francês, de fato. Isso acontece porque, com os avanços da idade, o cérebro começa a endurecer e, conforme crescemos, ele constrói algumas estruturas neurais para orientar nossas ações e decisões. É um tipo de base de estruturas que ajudam o cérebro a responder às situações do cotidiano. Com a formação dessas estruturas, a flexibilidade do cérebro vai diminuindo e, consequentemente, o ato de aprender coisas desconhecidas ou complexas fica comprometido. Pesquisadores acreditam que, no caso dos hiper poliglotas, essa plasticidade do cérebro consegue ser prolongada.

Aprender dezenas de línguas diferentes não é o mesmo que falar todas elas fluentemente. Uma pesquisa feita com 172 hiper poliglotas constatou que o cérebro consegue manter, em média, entre 5 a 9 línguas ativas na área da memória. As outras informações ficam guardadas em outras áreas, como se fossem arquivos de computador. Isso não significa que o que foi aprendido não está lá, mas que não pode ser acionado de forma imediata. Uma neurocientista da Universidade de York, Ellen Bialystock, afirma que quem fala mais línguas apresenta maior capacidade de concentração e se distancia do Mal de Alzheimer. Através de uma pesquisa que realizou com 211 pacientes, concluiu que os bilíngues podem adiar a doença em até 5 anos.

Porém, deparamo-nos com uma grande questão no século 21: com tantas formas modernas de armazenamento de informação, qual seria a utilidade de memorizar tanta coisa? Essa é uma questão que está transformando o modo como vemos as línguas e, hoje, não precisamos mais decorar uma enormidade de coisas. Segundo a neurocientista Ellen, a internet, de fato, pode ajudar, inclusive, no estudo de outras línguas e no próprio exercício da expansão da memória. Contudo, para desenvolver-se, antes de mais nada, é preciso ter força de vontade.

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